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Há algum tempo, era possível dizer que as denúncias contidas na revista “Veja”, fruto da delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, eram nitroglicerina pura, por afetarem escalões do Governo e do Congresso em véspera de eleição. Nos tempos de hoje, nem tanto, a despeito da gravidade. O país, de novo, se vê diante de um escândalo produzido por agentes de Estado e parlamentares, chegando a outras instâncias com o envolvimento de governadores, mas a repercussão nas ruas deve ser a mesma de outras vezes: sem surpresa.

De modo trágico, o eleitor está se defrontando com denúncias de toda sorte, tirando de cena o debate adequado sobre as demandas do país. Como em outras vezes, esses personagens – alguns recorrentes – vão passar a semana se explicando, dizendo-se vítimas dos adversários por causa da campanha. As condenações dos mensaleiros não serviram, como deviam, de exemplo. O patrimonialismo continua vivo.

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Também como em outras vezes, o Congresso vai anunciar severa investigação para punir os culpados e criar, se possível, uma nova comissão parlamentar de inquérito. Mas de nada adiantará tal providência se as regras do jogo continuarem as mesmas. O presidencialismo com viés parlamentarista dá aos partidos, inclusive os de aluguel, o poder de barganha que leva o Executivo a ceder os anéis para não perder os dedos. Neste caso, cessão de cargos em empresas públicas, que acabam sendo utilizados para ações menores, bem distantes do espírito republicano.

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