Diante dos protestos gerais, inclusive da própria presidente, ministra Cármen Lúcia, a direção do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se apressou em dizer que o repasse de dados dos eleitores para a Serasa não fere direitos, mas enfatizou que o acordo não é bem assim como andam dizendo, como se fosse um conluio entre o Tribunal e uma empresa privada.
Pode até não ser, e, até que se prove o contrário, a corregedoria do TSE é um órgão sério, mas não deixa de causar certa perplexidade quando há a transferência de informações sem que haja, sequer, uma consulta à presidente ou ao plenário da instituição. Salvo melhor juízo – ainda mais em uma corte -, o compartilhamento só ocorre em situações especiais, mesmo assim com autorização de um juiz.
Dito isto, é necessário avaliar que o repasse de dados de uma empresa para outra, e até mesmo com a participação de órgãos públicos, deixou de ser surpresa. Hoje, qualquer pessoa, de posse de pequenos dados, é capaz de investigar a vida de terceiros, colhendo informações pessoais, como se tivesse conseguido num relato pessoal. O big brother não é apenas uma novela de sons e imagens, mas também de informações que andam pelo mundo digital sem controle.
O Brasil mesmo, apesar da sua soberania, foi bisbilhotado pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos, numa invasão de privacidade sem limites, mas que, segundo a própria NSA – sigla em inglês -, é comum em suas atividades. Mesmo com a gritaria geral e protestos formais de governo para governo, nada vai mudar.
