Nem bem encerrou a votação das primeiras medidas do ajuste fiscal, a base governista começa a cobrar a conta. O PMDB, o principal aliado, deu prazo até segunda-feira para que o Planalto confirme as nomeações prometidas; ao mesmo tempo, por meio do vice-presidente Michel Temer, exige a demissão do ministro do Trabalho, Manoel Dias, por causa da dissidência do seu partido. Os 19 deputados do PDT votaram com a oposição. O ministro será mandado para casa como punição, e a situação servirá de exemplo para aqueles que pensam em ficar contra os projetos do Governo – teria advertido o próprio Temer, agora responsável pela articulação política.
A presidente Dilma Rousseff, como já ocorreu com os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, tornou-se refém de sua base. Num período de fragilidade de sua administração, está se submetendo, mesmo a contragosto, aos desejos dos aliados, numa clara personificação do lado perverso do presidencialismo de coalizão. Os partidos só apoiam mediante benefícios, deixando o viés ideológico em segundo plano. Enquanto não houver mudança nesse modelo, governantes que não tiverem jogo de cintura, como a presidente, terão sérias dificuldades em impor suas metas.
Como o PMDB definiu prazo, fica em aberto o passo seguinte: como agirá se as nomeações não saírem do papel; e o ministro do Trabalho, será mesmo demitido? Se o pleito peemedebista for atendido, um problema imediato estará resolvido, mas surgirá outro, pois o PDT será jogado para o outro lado do balcão, reforçando ainda mais a oposição, que, mesmo minoritária, tem se mostrado mais coesa do que a base oficial.
