A decisão da presidente Dilma Rousseff de entregar a coordenação política de seu Governo ao vice-presidente Michel Temer, também presidente nacional do PMDB, não significa, necessariamente, a pacificação de sua base política no Congresso. Há, sim, o risco de agradar o aliado, momentaneamente, mas desagradar a sua própria legenda, que se vê afastada do centro do poder. O ministro Pepe Vargas, agora na Secretaria de Direitos Humanos, ficou sabendo de sua saída pela imprensa. Ideli Salvatti, a quem substitui, só foi informada à noite que teria que mudar de pasta.
Num momento de fragilidade, ficar refém do PMDB pode não ser o melhor caminho. O partido é profissional na articulação e tem o comando do Congresso, com as presidências da Câmara e do Senado, sob a batuta de Eduardo Cunha e Renan Calheiros respectivamente. Com Michel Temer ditando as normas da política, o ciclo se completa. Resta saber, porém, como ficarão os demais aliados ante tanto poder para os peemedebistas.
O grande teste será a votação do pacote econômico elaborado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Ele ainda não conquistou o coração de boa parcela do Parlamento, paradoxalmente situada na própria base do Governo. O ministro, para não perder os dedos, cede os anéis, admitindo mudanças, mas sem mexer na sua essência.
A votação deve ocorrer num momento em que Brasília, além disso, tornou-se um caldeirão, com manifestações de toda ordem, ora elaboradas pela base, ora pela oposição. Com os ânimos à flor da pele, o enfrentamento também tem ocorrido até mesmo com gestos mútuos de violência. Qual é a influência das ruas nas votações ninguém sabe, ainda mais às vésperas de outra mobilização, marcada para domingo, dia 12, em todo o país.
