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ANTES DO GOLPE

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Apesar das muitas lacunas, sobretudo dos porões da repressão, boa parte do ciclo ditatorial já foi contada pelos historiadores. Obras inteiras, como as do jornalista Elio Gaspari – A ditadura envergonhada, A ditadura escancarada, A ditadura derrotada e A ditadura encurralada -, apontam a trajetória iniciada em Juiz de Fora, no crepúsculo de março de 1964, tendo à frente o general de divisão, Mourão Filho, até o seu fim, com a eleição de Tancredo Neves pelo colégio eleitoral, embora não tenha tomado posse por conta de uma diverticulite e, posteriormente, sua morte.

Meio século depois, o país passa a limpo o episódio com a instalação de comissões da verdade e discussões em diversos fóruns sobre os anos de sombra. A Tribuna, a partir deste domingo, irá se deter em outras frentes, como relato de testemunhas que, involuntariamente e sem saber do que se tratava, viram as primeiras articulações do golpe. Nesta série, que vai ocupar todo o mês, a primeira matéria tem o viés nostálgico destes atores sem palco, que hoje contam o que viram.

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A série avança por relatos de outros personagens que participaram, viram ou retrataram, por meio das vias de comunicação, o que ocorreu no distante 1964 e anos seguintes. A razão desta cobertura é trazer à tona um cenário de incertezas da época e no que culminou a ação do comandante da então Quarta Região Militar. Mais do que isso, a meta é manter viva a lembrança, para que nunca mais ocorra a tomada do poder por fora das urnas. O país só será capaz de refazer sua história com revelações, o que este jornal, dentro do que é possível, pretende fazer durante todo este mês.

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