O candidato à presidência da Câmara Federal deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos mais fortes concorrentes à vaga de Henrique Eduardo Alves, corre o risco de ser investigado pela Procuradoria-Geral da União – dependendo apenas de autorização do Supremo Tribunal Federal – pela suspeita de ter recebido dinheiro de um policial federal ligado ao doleiro Alberto Youssef. Com isso, ele também está sendo colocado no centro do escândalo da Petrobras, faltando menos de um mês para a disputa, na qual terá como adversários o petista Arlindo Chinaglia e o socialista Júlio Delgado. O deputado fluminense diz que está sendo alvo do jogo bruto da sucessão, pois tem posições claras de independência do Legislativo. Até o ex-governador Antonio Anastasia foi citado pelo mesmo agente como beneficiário de recursos. Se indignou e, como Cunha, acha que tem caroço debaixo desse angu.
É cedo para se tirar qualquer tipo de conclusão, sobretudo quando o próprio advogado do policial descarta contato com o parlamentar, mas é fundamental avaliar a existência ou não do fato, uma vez que o presidente da Câmara é o segundo na linha sucessória presidencial. A disputa reproduz táticas do enfrentamento presidencial, no qual nem sempre houve serenidade dos envolvidos. O atual presidente da Câmara, Henrique Alves, ficou fora do ministério do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff por razões semelhantes. Seu nome apareceu na lista de possíveis beneficiários. Embora haja a lógica do in dúbio pró-réu, a presidente preferiu in dúbio pró-estado, a fim de preservar sua gestão de novos escândalos. Antes de ser convidado, e para evitar constrangimento mútuo, ele declinou do convite que sequer tinha sido feito.
No caso do candidato pelo PMDB, a questão é saber a extensão do dano à sua candidatura. O juiz-forano Júlio Delgado tem jogado na independência da Casa, lembrando que tanto Cunha quanto Chinaglia são de partidos diretamente envolvidos com o Governo. Trata-se de um argumento que costuma soar bem aos ouvidos dos parlamentares, sobretudo os do baixo clero, que vivem a eterna dependência de seus líderes. O jogo, porém, está apenas na sua etapa inicial, no qual tudo pode acontecer. Inclusive nada.
