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BOLA DA VEZ

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Agora virou rotina. A cada fim de semana surge uma denúncia, abrindo, de novo, a pauta política sobre o futuro dos ministros. Depois de Orlando Silva, do Esporte, quem está no vespeiro – expressão que ele mesmo usou – é o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. As acusações são as mesmas: acordos com ONGs suspeitas e pagamentos mal-explicados. Grave, ainda, é a acusação de cobrança de propina a outras organizações para a elaboração de convênios. Como no caso de Orlando Silva, o ministro nega, diz que já mandou tomar providências e que, se tiver que sair, só se for por demissão, pois não pretende jogar a toalha. No Esporte, ocorreu a mesma coisa, e o ministro saiu por recomendação do próprio partido, pois, para não perder os dedos, cedeu os anéis.

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Um fato comum em diversos escândalos é a Controladoria-Geral da União, que fez advertências exigindo a tomada de providências que foram solenemente rejeitadas. Segundo a CGU, não é de hoje que os convênios com o terceiro setor estão sendo questionados, mas não foram tomadas medidas para resolver o problema. Lupi diz que já agiu, mas o noticiário caminha em sentido contrário, indicando que ele fez ouvidos de mercador. Ao contrário de Orlando Silva, que saiu, mas ficou bem com o Governo e com a sua própria legenda, ele, mesmo sendo presidente licenciado do PDT, tem inimigos caseiros poderosos, como o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira, que não reza na sua cartilha. Quem também é de outro grupo é o deputado Miro Teixeira, decano da Câmara Federal.

Investigar é uma necessidade, mas, de novo, é preciso enfatizar que a satanização das organizações governamentais é o pior dos mundos, pois o poder público já mostrou que não tem capacidade de gerenciar todos os programas, dependendo da ação do terceiro setor para levar adiante suas metas. Deve, sim, rever contratos, cassar concessões das organizações ineficientes ou de fachada, próprias para facilitar a vida de quem vê o dinheiro público como um investimento particular ou do próprio grupo. No frenesi das investigações e das denúncias, é preciso cuidado para não se cometer injustiças, colocando no mesmo balaio as entidades que já provaram que são sérias.

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