O acordo entre a ex-ministra Marina Silva e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, pelo qual ela e seus correligionários migraram para o PSB, uma vez que sua legenda, Rede Sustentabilidade, foi vetada pela Justiça Eleitoral, merece, desde sábado, uma série de conjecturas. Afinal, deu um novo olhar sobre a sucessão presidencial. Até então, o governador, nome que seu partido pretende levar para as urnas, era visto como um outsider da sucessão. Sua postura, até bem pouco tempo, de aliado do Governo ainda não estava bem encaixada na trincheira da oposição. O jogo, agora, ganhou novos contornos, a começar pelos discursos bem mais incisivos, já a partir da assinatura de adesão.
No entanto, apontar para as consequências é mais um exercício de especulação do que fato em si, a despeito da relevância do acordo. Afinal, Campos passou a ser ator importante no processo, já que ele e a ex-ministra podem abrir uma terceira via na discussão. Marina, aliás, enfatizou em diversos pronunciamentos que sua opção pelo PSB era para quebrar a polarização entre PT e PSDB. Com quase 20 milhões de votos na última eleição presidencial, ela agrega um importante capital na candidatura do governador, mas só o tempo dirá se haverá tal migração.
A um ano do pleito, a aliança, no entanto, antecipa questões que tinham sido deixadas para o ano que vem não só no Governo mas também na oposição. Os tucanos, ainda sob o dilema entre Aécio e Serra, terão que antecipar suas ações, sob o risco de perder terreno, sobretudo no Nordeste, onde Dilma, Campos e Marina são fortes. Esperar 2014 tornou-se temerário para uma legenda que ainda não sabe, sequer, quem será seu candidato, embora todas as fichas sejam colocadas na mesa do senador mineiro. José Serra não ficou de graça na legenda. Ele continua alimentando o sonho de ser ele, e não Aécio, o candidato que vai enfrentar Dilma e a dobradinha Eduardo Campos e Marina.
