O noticiário político tem sido pródigo em apontar que há dois calendários quando se trata da eleição. O da Justiça Eleitoral, que prevê datas para filiações, convenções e início formal da campanha, e o dos políticos. O destes, como é possível ver no dia a dia, já está em pleno curso. Começando pela instância legislativa, os candidatos a deputado e senador estão se articulando, pois sabem que deixar composições para o dia seguinte é um erro primário. Por isso, as conversas estão em pleno andamento.
Na instância do Executivo, o debate é mais complicado, pois os acordos envolvem os partidos diretamente. A presidente Dilma Rousseff, que tem que conciliar a gestão do Governo com as ditas articulações, joga com as armas que tem. No caso, a caneta. Depois de muito relutar, aceitou propostas do Congresso e ainda terá pela frente uma demanda complicada, mas que não deverá vetar. Trata-se do orçamento impositivo, pelo qual o Governo é obrigado a pagar as emendas parlamentares individuais. É uma bandeira pessoal do presidente da Câmara, Henrique Alves, que agrada aos ouvidos dos demais deputados, ainda mais em período pré-eleitoral.
Na oposição, os candidatos mais expostos já estão em campo. Mesmo dizendo oficialmente que ainda é cedo, o tucano Aécio Neves reuniu presidente dos 27 diretórios estaduais e disse que tem couro duro para aguentar pancadaria. O recado vale para fora, mas também para dentro do partido, já que o ex-governador José Serra, ora em andanças pelo Nordeste, ainda não desistiu de ser candidato.
Enquanto isso, depois de um deliberado mergulho, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, volta ao noticiário e abre a agenda pelo país afora. Quem faz o mesmo é a ex-senadora Marina Silva, mas esta precisa, primeiro, oficializar a Rede, seu partido, para só depois pedir votos. Mas como os demais, já acionou o seu calendário. A campanha está em curso.
