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O QUE A RUA DIZ

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Convidados a apontar os principais temas de sua preferência, entre os muitos veiculados pela mídia, personagens ouvidos pela Tribuna se dividiram entre o mensalão – ora em julgamento no Supremo Tribunal Federal – e os Jogos Olímpicos – na sua fase derradeira, na Grã Bretanha. A outra opção se diluiu entre o intenso tráfego de interesse, mas chamou a atenção a distância entre a novela Avenida Brasil e as eleições municipais. O embate entre Nina e Carminha ganhou, de longe, dos palanques dos candidatos em busca do voto. 22% preferem ficar diante da televisão, enquanto somente 7% estão dispostos a conversar sobre a saga de candidatos a prefeito e vereador.

Há vários pontos a serem interpretados, mas não de forma definitiva, pois os próprios fatos estão em pleno movimento. O primeiro é o descaso em torno da disputa municipal, seja para a Câmara, seja para a Prefeitura. Por enquanto, o eleitor está fechado para o diálogo, esperando, como se prevê, o início da campanha no rádio e na televisão. Os próprios atores políticos perceberam isso ao adiar a ida às ruas em busca do voto, pois seria gastar dinheiro à toa, quando a definição só vem numa fase posterior. É necessário levar em conta, no entanto, que se não houver motivação, o distanciamento vai continuar, mesmo ante o viés passional que marca as disputas municipais.

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A segunda questão é positiva, pois demonstra que a reação das ruas não é contra a política. Dos entrevistados, 28% estão atentos ao julgamento do mensalão, a despeito da sofisticação dos discursos dos advogados de defesa, ora chamados a falar em nome dos réus. O povo, mesmo diante do ceticismo de sentenças condenatórias, quer saber como os ministros do STF, longe de pressões próprias de júris populares, irão se manifestar. Será uma jornada longa que poderá, inclusive, se manter acima das eleições, inclusive quando políticos, no rádio e na televisão, começarem a vender os seus projetos de ação.

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