O resultado da votação em si é o menor dos males, pois, de fato, era tempo de se colocar a casa em ordem contra os abusos que estavam sendo praticados no auxílio-desemprego. O ponto central da votação da MP 665, que entrou pela madrugada adentro na noite de quarta-feira, foi o arranjo das forças políticas na Câmara dos Deputados. A despeito de todos os argumentos, o Partido dos Trabalhadores foi enquadrado pelo aliado PMDB, que só votou o ajuste fiscal depois de ter a confirmação de que a legenda da presidente da República faria o mesmo, contrariando seus próprios princípios. A base aliada do Governo vive um momento único, no qual o PT acaba pagando a conta pelas ações e inações do Planalto. Votar a medida provisória demandou um grande desgaste.
A questão agora é saber como serão os próximos passos. Ante um cenário de incerteza, a equipe de Joaquim Levy ainda não encerrou a dura medicação que está aplicando na economia. A base aliada estaria disposta a novos sacrifícios? E os cargos prometidos, vão contemplar mais o PMDB do que os demais partidos? Serão votações pontuais, e, a cada uma delas, será preciso um novo ciclo de articulações.
Esses movimentos fazem parte do jogo e da vida partidária, mas a novidade é o modo e a desenvoltura do PMDB. Comandando a Câmara e o Senado, e ainda a articulação política do Governo, ele define a pauta dos demais aliados, como se fosse o principal vencedor das últimas eleições. Até quando, não se sabe, mas o PT em momento algum de sua história viveu uma fase tão crítica como agora, sendo pautado por um aliado que nem sempre está disposto a transigir. E que, quando o faz, apresenta a conta imediatamente.
