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SÓ PENSAM NAQUILO

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Se indagados, os principais atores políticos rejeitam a tese de antecipação da campanha eleitoral, justificando seus atos como meros movimentos da rotina política. No entanto, o discurso é traído pelos fatos: a sucessão está nas ruas, e os pré-candidatos só pensam naquilo, isto é, no voto. Ao criar o 39º ministério, a presidente Dilma Rousseff tirou um importante aliado do PSDB. O novo ministro da Secretaria de Micro e Pequenas Empresas, Guilherme Afif Domingos, é vice-governador de São Paulo, estado gerenciado pelo tucano Geraldo Alckmin. A quem prestará satisfações, já que pretende acumular os dois cargos? Certamente, sua fidelidade será ao PT, partido aliado do seu PSD. Além disso, com Alckmin não há relação de autoridade, já que ambos foram eleitos. Com Dilma, sim. Como os demais ocupantes de cargos em comissão, ele é demissível ad nutum, ou, no popular, pode ser mandado embora a qualquer hora.

A eleição do senador Aécio Neves para a presidência nacional do PSDB é outro gesto meramente voltado para o pleito de 2014. Ainda às voltas com pendências com os correligionários paulistas, leia-se José Serra e aliados, o parlamentar mineiro já está com agenda marcada para diversos estados, a fim de levar sua bandeira de postulante ao cargo de presidente. Bastante conhecido no Sul e até mesmo no Sudeste, Aécio ainda precisa conquistar o Norte e o Nordeste brasileiros, territórios dominados pela presidente e por outros dois pré-candidatos: Marina Silva (Rede), ex-senadora pelo Acre, e Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco.

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A antecipação da campanha não seria problema algum se não houvesse a definição de gestos que em tempos normais careceriam de mais prudência. Ao preencher mais uma cadeira em seu ministério, a presidente cria apenas mais burocracia, a despeito da importância de uma pasta para as micro e pequenas empresas, hoje numa das gavetas do Ministério do Desenvolvimento. Mas a leitura que se faz é de mero jogo político, como também são os discursos de Aécio, Eduardo Campos e Marina.

O que não está sendo levado em conta é a postura do eleitor. Com demandas prioritárias, a começar pela volta do espectro da inflação, ele quer, na verdade, ações de interesse direto, que estão mais ligadas, hoje, aos prefeitos que tomaram posse em janeiro deste ano do que no que pode ser feito pelo eleito ou eleita e com posse só em janeiro de 2015.

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