Passada a Semana Santa e com o calendário começando a encurtar, os partidos devem acelerar suas negociações para definir o cenário eleitoral de 2012. Algumas legendas, como o PSDB de Custódio Mattos e o PT de Margarida Salomão, já conhecem seus protagonistas, mas ainda dependem de entendimentos para fechar a chapa, sobretudo na indicação do vice. Entre as chamadas legendas de maior porte, a dúvida ainda é o PMDB, que até tem pré-candidato, o deputado Bruno Siqueira, mas ainda depende de acertos finais, a começar pelo ex-prefeito Tarcísio Delgado. Ele já disse que não é candidato, mas expôs dúvidas sobre o que considera o melhor caminho: nome próprio ou coligação.
Não há surpresa nessas posturas, pois pequenos entendimentos costumam ser cruciais numa etapa seguinte. As legendas se articulam não apenas em função de nomes, mas também por conta do tempo de televisão. E é aí que entram em cena as legendas de menor porte, não só negociando o tempo, mas também a estrutura de campanha. E, se possível, coligação proporcional, na qual seus candidatos a vereador entram no pacote das grandes siglas. Há casos de políticos eleitos por essa forma, mas sem risco de mérito, pois foram às urnas como os demais.
Os nomes são importantes, mas o eleitor quer saber também quais são as propostas para a cidade. O discurso antigo de mudança por mudança já não funciona, ainda mais num tempo em que seus pronunciamentos são acompanhados em tempo real. Os candidatos aos postos majoritário e proporcionais devem estar cientes de que as eleições desse ano não serão realizadas no mesmo contexto de quatro anos atrás, quando as redes sociais estavam apenas engatinhando. Hoje, basta navegar por alguns instantes para ver discussões de toda sorte: algumas, sem limites da boa prática; muitas, porém, com respaldo técnico e político, próprias de segmentos interessados em apontar as demandas da cidade.
O ciclo high-tech veio para ficar, o que é bom, como a própria Tribuna mostra na edição de hoje na página de política, se usado com critérios, embora se rejeite a censura, como a adotada pela Justiça Eleitoral, ao impedir postagem de candidatos pelo Twitter. Pura perda de tempo, pois se eles não falam, há outras vozes que se expressam em seu nome.
