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O MINISTRO E A NOIVA

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Ao falar sobre as obras para a Copa do Mundo, durante sabatina que envolveu também os dirigentes da Fifa, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, adotou a metáfora da noiva para justificar os atrasos sistemáticos pelo país afora. Segundo ele, toda noiva atrasa, mas jamais viu algum casamento ser cancelado em virtude de não se chegar na hora. Pode não ter visto, mas deve desconhecer que nem isso é tolerável nos tempos de hoje. Noiva que atrasa pode não perder o noivo, mas paga multa.

O Brasil, certamente, não vai pagar multa, mas terá o ônus de chegar à principal competição do futebol mundial com estádios inacabados e uma infraestrutura precária, se comparada ao que foi prometido quando o país se habilitou a realizar o evento, ainda na gestão do ex-presidente Lula. A Federação Internacional de Futebol Associado tem um caderno de recomendações, e todos que entram na licitação se comprometem a cumpri-lo. No entanto, sobretudo na acessibilidade, vamos mal.

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Juiz de Fora também se habilitou a participar da competição ao se inscrever na lista dos pretendentes a subsede, isto é, como local para concentração de seleções na fase de preparação. Para tanto, utilizou a privilegiada situação geográfica – entre as três principais capitais do país – e a capacidade de atender aos requisitos da federação, como aeroportos, hotéis e vias de acesso, além de centros de treinamento adequados.

E aí surge a questão. A cidade está preparada ou, como a noiva do ministro, tem seus empreendimentos fora do prazo, mas com a certeza de que haverá casamento? Para tanto, tem que andar rápido. Na edição do último domingo, a Tribuna apontou vários problemas, a começar pela impossibilidade de conclusão dos apartamentos prometidos no hotel que se habilitou para receber as delegações e o próprio acesso, de responsabilidade da Prefeitura de Matias Barbosa, que só ficará pronto se houver recursos da União.

O Estádio Municipal Radialista Mário Helênio também é outro gargalo. As obras anunciadas no início do ano pelo secretário de Esporte, Francisco Canalli, ainda não saíram do papel, como pintura das arquibancadas – que deveria ocorrer até dezembro -, melhorias nos vestiários e nos acessos e, sobretudo, troca do gramado. O Tupi começa a disputar o Campeonato Mineiro no dia 26 de janeiro e tem o estádio como sua referência. Se as obras forem feitas, ficará sem espaço para receber os adversários. Como a noiva do ministro, está tudo atrasado.

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