Ícone do site Tribuna de Minas

REAL E IDEAL

PUBLICIDADE

É desafiador o debate elaborado pela Tribuna, a partir da edição de domingo, colocando em xeque a questão dos adolescentes em conflito com a lei, pois há a opinião de especialistas e a percepção das ruas, formando o que poderia ser um embate entre o real e o ideal. Em princípio, são compartimentos estanques tal a sensação de insegurança que permeia o inconsciente coletivo. Se perguntar a qualquer cidadão o que deve ser feito, a resposta imediata é: apartar os infratores da vida social, isolando-os nos guetos dos cárceres.

Se a mesma indagação for dirigida aos especialistas, como a Tribuna está fazendo nessa série, é possível verificar que há saídas além da repressão, sobretudo em função das causas e dos números. Pelas causas, percebe-se que o Estado, como entidade que gerencia a vida dos brasileiros, ainda não fez um investimento profundo para avaliar a gênese de todos esses problemas, preferindo adotar uma postura de reação em vez da prevenção. Politicamente, jogar duro nas leis e insistir na repressão dá mais ibope, mas, certamente, não resolve.

PUBLICIDADE

O que se pôde observar, até agora, é que há outros caminhos a serem seguidos, desde que haja vontade política. Os jovens, segundo pesquisas, estão no centro do problema, mas os números são menos trágicos quando vistos sob o olhar isento. Em princípio, são eles, por conta da inimputabilidade, os maiores infratores. Não é bem assim, embora também estejam no centro das ocorrências.

Investir nos primeiros passos é a opção mais viável, com ações que contemplem as famílias, a escola e a oportunidade de trabalho. O jovem quer ser visível, o que só ocorre – como mostra a série – quando está em conflito com a lei.

Os desafios são muitos, mas é preciso insistir na tese de que é possível mudar, mas se trata de um empenho coletivo, no qual não há espaço para omissões.

Sair da versão mobile