No auge do ciclo do café, Juiz de Fora foi a cidade mais rica de Minas Gerais. A Crise de 1929 _ resultado de uma combinação de fatores, como a quebra da bolsa de Nova York, a fragilidade do sistema bancário americano, o excesso de crédito e de especulação na década anterior e a superprodução agrícola mundial _ se espalhou pelo mundo. Entre 1925 e 1929, os cafezais brasileiros registraram sucessivas supersafras. Ou seja, havia grande produção que tinha como principal destino os Estados Unidos, até então o seu maior consumidor. Com a Grande Depressão, as importações de café brasileiro pelos Estados Unidos caíram bastante. O preço também despencou. O governo comprou os estoques e os queimou, mas o dano já estava consumado.
A Zona da Mata, especialmente Juiz de Fora, foi uma das mais afetadas. A cidade perdeu espaço no cenário estadual, mas ainda se sustentava entre as mais importantes de Minas. Teve, porém, que mudar a sua vocação para o setor têxtil, o que lhe valeu o apelido de Manchester Mineira, em alusão à cidade inglesa de mesmo nome, um dos principais polos têxteis do mundo.
Com o avançar dos anos e mudanças no perfil econômico, o setor também refluiu. Indústrias tradicionais de Juiz de Fora fecharam as portas, o que seria o fim de uma era. Mas não foi bem assim.
Na edição deste domingo, a Tribuna, como parte das comemorações de seus 45 anos, traz matéria especial do repórter Bernardo Marchiori, na qual atores importantes do setor têxtil destacam que a tradição industrial não é necessariamente um modelo de negócios antigo. A cadeia de moda e vestuário é prova material de que a cidade, a despeito dos solavancos na economia, ainda resiste, mas carece, é fato, de ações para garantir a sustentabilidade do negócio.
Uma delas é o acesso viário ao Aeroporto Presidente Itamar Franco, que ainda precisa ser assegurado com segurança. A MG-353 depende de investimentos, mas o governo do estado _ como revelou em visita à Tribuna o governador Mateus Simões _ avalia investir na MG-133, que contornaria áreas adensadas como os municípios de Coronel Pacheco e Goianá.
Ademais, é preciso ampliar o número de voos para São Paulo _ o maior centro de negócios do país _ e garantir preços viáveis das passagens, sobretudo para quem usa tal conexão com frequência.
Juiz de Fora, como bem destacou a presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Juiz de Fora (Sindivest-JF) e do APL do Vestuário Farol da Mata, Mariângela Miranda Marcon, tem empresas tradicionais, mão de obra qualificada, instituições de ensino, universidades, Senai, fornecedores e uma localização estratégica. Aproveitar todo esse potencial em uma vantagem competitiva é o desafio.
Para tanto, além dos empresários, as lideranças políticas têm grande relevância nessa guinada, pois a região precisa ganhar um novo olhar das instâncias de poder de Belo Horizonte e de Brasília.
No périplo pela região em busca do voto, os candidatos reconhecem que a Zona da Mata precisa de mais investimentos e prometem que ela será foco de suas atenções. Nesse sentido, porém, representantes identificados com a causa regional e da cidade precisam ser eleitos, pois serão eles, diretamente, a voz na Assembleia Legislativa e no Congresso que fará essa cobrança.

