As recentes pesquisas eleitorais, que mudaram não só o discurso mas também o olhar da população para a campanha, ainda não são o dado definitivo do cenário pré-eleitoral. Tanto assim que os próprios candidatos apostam nas próximas avaliações para ver em que pé se encontra a relação deles com as ruas. As últimas apurações apontaram a ascensão de Marina Silva, a reação de Dilma Rousseff e a queda de Aécio Neves. Os próximos dados serão definitivos, mesmo com apostas de que tudo já está consolidado.
Pode até ser, mas a performance dos presidenciáveis no horário eleitoral e nos pronunciamentos públicos não é a mesma dos primeiros dias de programa. O que era um jogo de apresentações tornou-se uma arena. Dilma bate em Marina, que também é questionada por Aécio e que ficou à margem das preocupações de ambas. Como bem lembrou o ex-presidente Lula, tudo acena para o mais longo segundo turno da história, pois ele já começou.
Consolidando-se o atual quadro, o jogo se volta para os estados. O PSDB, que tenta recuperar a hegemonia federal ora sob controle do Partido dos Trabalhadores, fará de tudo para manter o controle dos dois maiores colégios eleitorais. Em São Paulo, ainda lidera com Geraldo Alckmin, mas, em Minas, quem está à frente é o petista Fernando Pimentel. Pelas mudanças, o núcleo duro de Aécio voltou-se para Minas para tentar virar o jogo, pois, mesmo deixando de ser um “player” presidencial, o dirigente tucano, até por uma questão de futuro, tenta manter a liderança em seu estado.
Ante esse novo cenário, a campanha promete, pois, pela primeira vez nos últimos 20 anos, tucanos e petistas se veem diante de uma situação inusitada, fruto do imponderável, como a morte de Eduardo Campos, mas também de um oculto desejo de mudança manifestado pela população nas atuais pesquisas eleitorais.
