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VOZ DAS RUAS

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É difícil prever o que vai ocorrer hoje pelo país afora nas celebrações do 7 de setembro, mas, pelas previsões, as manifestações voltarão às ruas para retomar uma agenda que ficou aberta com as instâncias de poder. Uma das questões é o modo como os políticos estão agindo. Na semana passada, como quase um desafio, a Câmara Federal se recusou a cassar o mandato do deputado-presidiário Natan Donadon, preferindo mantê-lo em seus quadros a despeito de seu endereço ser a Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal. E não foi uma ação apenas de aliados, mas também de partidos que jogaram de olho em ações futuras, numa perigosa tática do eu sou você amanhã. O resultado surpreendeu e levou o presidente da própria Câmara, Henrique Eduardo Alves, a convocar o suplente. Afinal, Donadon não tem o poder da ubiquidade, com presença na cela e no plenário ao mesmo tempo.

O fim do voto secreto é outra questão que terá eco nas ruas. A Câmara, também por pressão de seu presidente, aprovou sua extinção por unanimidade, mas o Senado apresenta restrições. Entendem os políticos da Câmara alta que abrir todas as votações fragiliza os partidos, que ficariam à mercê dos humores do Governo. Até os aliados seriam afetados, já que teriam que prestar contas ao Governo, que lhes dá sustentação política, sem chances, sequer, de pequenas traições. O argumento é razoável, mas é necessário considerar que o compromisso primário dos partidos e de seus parlamentares é com os eleitores. Daí, a importância de se saber como andam votando.

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Em Juiz de Fora, as manifestações ficarão por conta do grito dos excluídos, que há anos vem se apresentando nas celebrações da Independência. A pauta pode ser mais ampla, mas o que se espera, tanto na cidade como nos demais municípios, é que as manifestações não se desdobrem em vandalismo. Comprometer o patrimônio público não é o melhor caminho, sobretudo para quem deseja ter a opinião pública ao seu lado. Esta, certamente, apoia os protestos, mas rejeita a violência que tem perpassado alguns eventos, sobretudo nas metrópoles.

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