Legislação não falta. Em Juiz de Fora, a Câmara aprovou lei estabelecendo duras penas para comerciantes que venderem bebidas alcoólicas para menores de 18 anos, o que, no entanto, não é suficiente para inibir o consumo cada vez mais precoce, numa demonstração clara de que o problema não se resolve apenas por normas, a despeito de sua importância. Na edição de ontem, a Tribuna apontou o cenário de Juiz de Fora, que não difere de outras cidades, com ocorrências cada vez mais frequentes de jovens e adolescentes na lista dos consumidores.
Como as restrições legais se resumem apenas à faixa etária, a compra é burlada com facilidade. Basta um adulto adquirir o produto e distribuí-lo para o grupo, fato comum nos fins de semana, sobretudo na porta dos supermercados. E é aí que mora o perigo. Até mesmo como processo de afirmação dentro do grupo, os jovens se embriagam, dando margem para riscos pessoais e de terceiros. O consumo além dos limites é indutor de rompimentos familiares, acidentes e, sobretudo, abre a porta para o uso das drogas ilícitas.
Enfrentar esse problema tem sido uma tarefa difícil e de uns poucos, como os grupos de alcoólicos anônimos, que funcionam graças à abnegação de seus membros. Mas não basta. É preciso investir na família, para conscientizá-la da importância de educar seus jovens. Se educados, os jovens se tornam infensos ao jogo fácil que associa bebida a prazer e sucesso, algo comum quando se observa as publicidades cada vez mais criativas.
