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CULPA DE QUEM?

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Os episódios ocorridos na semana passada no Campus da UFJF, quando duas pessoas foram baleadas, retomaram uma discussão que, de fato, não cessou, mesmo diante de novas regras para realização de eventos. A primeira, sobre a pertinência de o espaço ser utilizado para shows. A segunda, sobre a ação das gangues, que não se restringe ao local, sendo rotina em qualquer manifestação na qual haja aglomerações.

Na essência, a universidade é destinada ao ensino, mas seria intransigência desconsiderar que há espaço para eventos, desde que sob regras e com segurança adequada. Pelos primeiros levantamentos, os episódios de sexta-feira podem até permitir crítica ao número de profissionais, zelando pelo bem-estar dos participantes, mas não é possível culpar os organizadores por uma ocorrência que poderia ter sido registrada em qualquer evento de tal magnitude e aberto ao público.

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A constatação é que as gangues são o principal flagelo. Juiz de Fora tem tradição de grandes eventos – inclusive abertos ao público, como os desfiles da Banda Daki -, que sempre foram marcados pelo interesse único da diversão. Com o surgimento das galeras, algo que Juiz de Fora tem sido ímpar, apareceram os sistemáticos problemas. Os enfrentamentos, antes restritos a alguns bairros, saíram de suas fronteiras e passaram a ocorrer em qualquer ponto da cidade, colocando em risco quem não tem nada a ver com essa disputa.

O passo seguinte não é dar fim aos eventos, pois a cidade estaria se curvando aos agressores, e sim enquadrar os que se consideram donos do destino de terceiros, num confronto sem fim. As disputas de gangues, segundo o Judiciário, são responsáveis por 40% dos crimes contra a vida praticados na cidade. Não se trata, então, de tirar o sofá da sala, e sim de dar combate àqueles que são os verdadeiros responsáveis por esse cenário de medo.

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