A derrota para a Noruega, na tarde-noite de domingo, deu fim ao sonho do hexa. Sem títulos desde o já distante 2002, o Brasil adiou para 2030 a esperada conquista, mas tirou lições importantes, a começar pela dança de técnicos no curso dos últimos anos. Foram trocas sucessivas que afastaram qualquer possibilidade de se ter uma equipe-base, capaz de manter um estilo de jogo voltado para a maior competição do futebol. A última participação da Seleção Brasileira foi um emaranhado de erros que não começaram agora, a despeito da contratação do conceituado Carlo Ancelotti.
A estrutura do futebol brasileiro precisa ser o primeiro fator de discussão, pois a CBF ficou marcada por vários escândalos, que levaram até a troca de seu comando, o que, mesmo indiretamente, refletiu no futebol. Denúncias de corrupção envolvendo dirigentes criaram um ambiente tóxico, no qual dirigentes se digladiaram por conta dos muitos interesses.
A contratação do premiado técnico italiano foi a saída encontrada para dar fim a tantos problemas e se revelou inócua diante do jogo de poder que se desenrola nos bastidores. Pressões para convocação foram um dos problemas. Sem a necessidade de apontar este ou aquele jogador, ficou claro que alguns deles já teriam dado sua cota de participação no elenco.
O fato de ter cinco títulos é importante, mas não dá para continuar vivendo do passado sem se adequar às mudanças táticas e estratégicas do futebol. Com 48 seleções, ficou claro que o peso da camisa é irrelevante, bastando acompanhar o desempenho de países africanos e de continentes para além da Europa e das Américas. A Argentina, campeã de 2022, só se classificou na prorrogação diante da seleção de Cabo Verde.
Repensar a estrutura do futebol brasileiro de forma séria é fundamental, sob o risco de, em não o fazendo, o sexto título se tornar um projeto cada vez mais distante.
As críticas que ocuparam o noticiário desde o encerramento do jogo são, em boa parte, pertinentes, mas o dado relevante é a necessidade de se olhar para a frente, adotando experiências de outras seleções que se atualizaram. A qualidade dos jogadores está fora de questão, pois a maioria atua nos mercados mais importantes e é protagonista. Mas os bastidores do futebol brasileiro precisam ser levados em conta, já a partir das divisões de base.
Hoje, olheiros e empresários trabalham voltados para o exterior, com atletas sendo exportados sem qualquer passagem pelos gramados nacionais. Esse mercado, que continua em ascensão, é perverso, por tornar-se um mero negócio.

