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É hora de abrir o jogo

editorial
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Os advogados do banqueiro Daniel Vorcaro concluíram, nesta quarta-feira, os anexos de sua delação premiada, indicando que, provavelmente ainda esta semana, o processo de colaboração mude de patamar. A vasta documentação será submetida à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal, a quem caberá verificar se há consistência no que está exposto e se acrescenta informações importantes ao material já apurado durante as investigações.

É uma etapa importante, pois só a partir daí é que o indiciado – se acolhida a delação – iniciará a série de depoimentos. Os anexos devem relatar detalhadamente e de forma cronológica os eventos que pretende denunciar. Ele também deverá aceitar os termos da PGR e da PF, como a garantia de que fará devoluções em dinheiro, sem margem para acordos que não mexam no seu bolso.

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A Polícia Federal, de acordo com informações iniciais, não teria gostado do que foi apresentado até agora, pois nada acrescenta ao que já se sabe. Ademais, os agentes ainda têm um longo percurso em suas investigações, a partir da quebra de sigilo dos celulares do banqueiro.

O conteúdo desses aparelhos é o principal ponto de debate, especialmente nos corredores de Brasília, já que, além de fotos, há conversas importantes que podem ampliar a fogueira que se instalou desde o início das investigações.

Vorcaro, pelo que já se sabe até agora, estabeleceu uma vasta rede de influências que perpassa todos os poderes da República. A preocupação fica nítida pelo próprio comportamento de algumas instâncias. A CPI do Banco Master, por exemplo, não deve prosperar, apesar de ter número suficiente de assinaturas. Se for adiante, pode ter consequências graves, sobretudo pelo fato de nada se saber sobre o desfecho de CPIs.

Vorcaro tem que falar, a fim de encerrar um caso que, desde o ano passado, vem ocupando o noticiário sem que haja qualquer consequência. Os anexos são importantes, pois precisam trazer garantias de ineditismo.

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Nesta quarta-feira, a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo rejeitou a delação premiada de Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto. Ele aceitou falar, mas não contou tudo nos anexos encaminhados ao Ministério Público, especialmente sobre seu vínculo com o PCC.

O que ocorreu em São Paulo deve servir de alerta aos advogados de Vorcaro. O MP Federal também tem reservas quando o indiciado promete falar, mas não revela tudo. É condição sine qua non que abra o jogo em sua totalidade, pois só assim terá os benefícios que almeja ao colaborar.

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