Tornou-se rotina na administração pública a prestação de contas por causa dos prazos. Assim, são avaliados os primeiros cem dias, depois vêm os primeiros seis meses, o primeiro ano, e daí por diante. Para o eleitor, é bom, mas a prestação de contas em determinados cargos é quase diária. Os prefeitos, por exemplo, têm contato mais ostensivo com os eleitores, bem maior do que os governadores. Estes – assim como os deputados estaduais – são uma espécie de linha intermediária, pois o presidente, embora não tenha contato diário com as ruas, se expõe à opinião pública pelas medidas que toma e que afetam a vida de todo o espectro nacional. Esta semana, os eleitos em outubro do ano passado e empossados em 1º de janeiro completam os primeiros cem dias de gestão. O prefeito Bruno Siqueira dará coletiva amanhã, mas já é possível antecipar algumas análises, como a Tribuna faz na edição de hoje em sua página de política.
Em período tão curto, melhor discutir o que virá pela frente, uma vez que há a recorrente ação de acerto da equipe, ajuste da máquina administrativa e outras demandas comuns do serviço público, que tem ritos próprios. Certamente, o prefeito vai apontar o que lhe foi deixado de herança, sobretudo financeira, e o que está sendo feito para resolver, mas o fundamental, a partir de agora, é apontar caminhos e colocar em pauta o que pretende fazer, como, aliás, disse, com sucesso, durante a campanha eleitoral, quando focou seu projeto na mudança.
Juiz de Fora tem muitos desafios, e em várias frentes, como mobilidade, segurança, saúde e educação. Ao longo das décadas, perdeu posições no ranking econômico e se viu diante de questões graves, como o empobrecimento da própria Zona da Mata, da qual é o principal município. Estes fatores impõem ao chefe do Executivo uma agenda própria, na qual, além de gerenciar as demandas municipais, tem que se preocupar com o seu entorno.
Os próximos passos são importantes, sobretudo por serem dados num ano pré-eleitoral, mas com campanha já nas ruas. E aí, pesa o viés político de poder tirar proveito do Estado e da União. Mas há limites, pois chegará a hora em que o prefeito será cobrado para definir de qual lado do balcão vai ficar.
