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LADOS DO BALCÃO

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O melhor momento do discurso do senador Aécio Neves (PSDB-MG), ontem, inaugurando o debate político no Congresso, foi quando disse que ser oposição é tão patriótico quanto ser Governo. Neste momento, não se tratava de um conteúdo programático, mas de uma observação que ganha importância a partir do instante em que a compreensão sobre o contraditório se torna necessária. Há sempre quem confunda – e não são poucos – adversário com inimigo. De um lado ou de outro do balcão, é sempre possível conciliar, desde que o interesse coletivo esteja em pauta. A dificuldade está no narcisismo dos próprios partidos e seus filiados, que os impedem de ver qualidades no adversário.

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Aécio nitidamente falou para dentro e para fora do Congresso. Virtual candidato à Presidência da República, começa a montar a sua jornada para 2014, mas precisava, antes, também falar aos seus, como com o colega José Serra, um dos convidados especiais do evento de ontem. Os tucanos de Minas e de São Paulo, também por força dessa dificuldade de verem valores no outro lado da fronteira, têm comprometido o seu próprio projeto de poder. Divididos, estão distantes do Planalto há três mandatos.

Debater é sempre saudável para a democracia, sobretudo quando a discussão é conduzida por lideranças capacitadas. O líder do PT no Senado, Humberto Costa, e a vice-presidente do Senado, Marta Suplicy, também do Partido dos Trabalhadores, deram o tom exato ao lembrar que, ao inaugurar o debate, Aécio dava margem para comparação dos dois Governos. Trata-se de um bom começo que poderá, inclusive, surpreender os principais atores políticos ao descobrirem que divergem, mas não tanto quanto pensam, sobretudo quanto ao objetivo. Mas, se divergirem radicalmente, não haverá problemas, desde que a meta seja a construção de um país cada vez melhor e mais justo. É para isso que foram eleitos.

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