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RITO DE PASSAGEM

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O trote universitário é uma prática antiga, que passou por vários modelos, mas significativa para quem ingressa num curso superior. É um rito de passagem que fica marcado no tempo, embora se possa questionar a forma como tem sido praticado nos tempos atuais. Nos anos 1970, alunos de Engenharia eram obrigados a medir o calçadão da Halfeld com palitos de fósforo, mas já se jogava ovo e farinha na cabeça dos aprovados, como também pintavam-lhe os cabelos e o corpo. Por isso, radicalizar na crítica aos tempos modernos soa mais como intolerância do que como um ato de questionamento formal à brincadeira dos calouros.

É possível e deve-se criticar, sim, a prática violenta que se tornou marca em algumas turmas e o modo apelativo dos veteranos, como obrigar os futuros alunos a ingerirem, a contragosto, bebidas alcoólicas, salvo se pagarem para não receberem esse trote. Trata-se de um problema de dupla implicação: não se deve obrigar alguém a fazer algo que possa comprometer-lhe a honra ou a saúde e, muito menos, cobrar para garantir algum tipo de isenção. Resvala em bullying e em extorsão. Ademais, os danos são muitos. Este ano, um estudante de 17 anos foi encontrado caído na rua, com o corpo pintado, e precisou ser levado ao HPS. Ele disse aos bombeiros que o atenderam ter ingerido bebida alcoólica.

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Se houver bom-senso, é possível conciliar a prática com resultados positivos para os calouros. Ir às ruas com o corpo pintado, por mais incômodo que possa causar, não compromete em nada a vida dos calouros, mas sem passar disso. É o momento deles. Se os veteranos abrirem mão dos abusos e mesclarem o trote com ações sociais, e se as autoridades universitárias impuserem restrições aos abusos, esse momento único será lembrado e celebrado em outras datas, sem o risco de se tornar um problema para alunos e instituições ou um evento que não entrará no álbum da família. Muitas universidades, nas quais não prevaleceu o bom-senso, simplesmente o proibiram. E com razão.

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