Não há qualquer indício de recuo, e o presidente Donald Trump vai colocar em vigor, nesta quarta-feira, o tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, com exceção de cerca de 700 itens que foram desonerados ao longo dos últimos dias. O que virá pela frente é improvável, não apenas pela instabilidade do dirigente americano, mas também pelo ciclo político no Brasil, que ganha novos contornos a cada dia.
A prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro não teve um só dedo do Governo, mas há sempre a possibilidade de mistura, em razão do jogo político que perpassa todas as discussões. A nota do Departamento de Estado dos EUA, equivalente ao Itamaraty Brasileiro, se detém à crítica ao ministro do STF, mas dá margem a todo tipo de interpretação.
O tarifaço, mesmo já vigendo, pode passar por mudanças, dependendo das negociações que estão em curso. O Brasil já admite conversar sobre as chamadas terras raras – o que interesse ao Governo americano – e prevê até mesmo um encontro entre os dois presidentes, o que, no entanto, é improvável nos próximos dias diante do clima político no Brasil.
São coisas distintas, mas a diplomacia, acertadamente, quer evitar um eventual constrangimento se Trump cobrar de Lula uma saída para o impasse entre Bolsonaro e Alexandre de Moraes ou subir o tom, como costumeiramente tem feito com visitantes, como foram os casos dos presidentes da Ucrânia e da África do Sul.
Ao fim e ao cabo, está em curso um cenário de incerteza, pois não se sabe, na questão política, qual é o movimento das forças bolsonaristas e qual será a reação do Supremo Tribunal Federal, assim como não há o que dizer sobre as tarifas e sua eventual suspensão sob o viés econômico.
Em ambos os casos, as cartas estão na mesa, dependendo de os players efetuarem seus lances. O que não vale é jogar todos os impasses na conta da população, que assiste, apreensiva, aos jogos de poder que estão em curso tanto na política quanto na economia.
