Em entrevistas às revistas Isto É e Época, no último fim de semana, o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot acusou o PT e o PSDB de usarem o Governo federal e o de São Paulo para bancar as campanhas da petista Dilma Rousseff e do tucano José Serra à Presidência na eleição de 2010. De antigo aliado, tornou-se persona non grata na CPI do Cachoeira, já que não poupou ninguém. Virou o que os próprios políticos chamam de fio desencapado.
Defenestrado do Dnit quando a presidente Dilma passou a vassoura na área de transportes – tirou até o ministro -, Pagot mostrou-se um homem conhecedor dos meandros do poder, já que por sua sala passaram interesses de diversas lideranças de vários partidos. Começa a dar o troco.
Sua atitude, no entanto, não surpreende, como também não há fato novo no silêncio da CPI, que, a despeito de 20 requerimentos para sua convocação, ainda não tomou uma atitude. Se os pedidos forem para a gaveta, será mais uma prova do jogo de interesses do Congresso e uma clara demonstração de corporativismo. Como Pagot colocou todos no mesmo saco, é melhor não chamá-lo, especula-se.
Já sob forte suspeita de ser uma grande pizzaria, a CPI passa por mais um ponto de desgaste, ampliando as dúvidas da opinião pública sobre o seu desfecho. Após as afirmações de Pagot, tanto o ex-presidente Lula quanto o ex-governador José Serra fizeram discurso idêntico de crítica ao denunciante. Ante o pronunciamento de dois dos principais próceres da política nacional, é de se esperar que a convocação não vá adiante.
