Discutir a reforma política se faz mais do que urgente neste momento. Mas discutir com seriedade e profundidade, levando à sociedade todas as questões levantadas para que haja participação profunda em prol da cidadania e da moralização de um setor que anda sem crédito diante de tantos episódios negativos, que vão desde as benesses concedidas aos pares até a corrupção.
A Tribuna iniciou no último domingo uma série de reportagens no sentido de levar ao leitor um maior entendimento sobre o que começa a ser debatido no Senado esta semana. Alguns pontos devem ser colocados imediatamente em votação, como a desincompatibilização dos cargos do Executivo para se candidatarem à reeleição e o fim do voto proporcional para vereadores e deputados em cidades com mais de 200 mil habitantes.
A questão do voto proporcional, tema minucioso e difícil, abriu a série deste jornal, revelando que não há consenso sobre o assunto. No sistema proporcional, que é adotado atualmente, ao votar, o candidato aceita ser representado por determinada legenda. O distrital sugere a instituição de votação por distritos (regiões). Há ainda a discussão sobre um modelo misto. No entanto, todos os quatro especialistas ouvidos pela Tribuna não demonstraram entusiasmo com as mudanças sugeridas e preferem o modelo atual, por entenderem que ele já permite unir representação proporcional com a escolha do eleitor. Além disso, outros modelos em discussão podem dificultar as minorias ideológicas e favorecer apenas os maiores partidos.
Há que se debater muito antes de qualquer mudança, lembrando que o Parlamento deve ser um lugar onde haja fluxo de ideias e programas, independência das cidades, pluralismo político e legitimidade dos representantes eleitos. Mas pluralismo não combina com a abertura indiscriminada de partidos políticos que se transformaram em verdadeiras legendas de aluguel sem bases ideológicas, servindo de cabides para a eleição de muitos candidatos.
O debate está apenas começando, e temas mais polêmicos ainda virão, como o financiamento de campanhas, o fundo partidário e a unificação das eleições. Buscar aperfeiçoar o sistema no caminho da democracia e da ética é fundamental, desde que os reais interesses públicos sejam priorizados nas decisões de nossos representantes.
