Em recente encontro com o prefeito Bruno Siqueira – na semana passada -, os deputados Margarida Salomão (PT) e Marcus Pestana (PSDB) reafirmaram suas intenções de lutar pelos interesses da cidade, a despeito das siglas partidárias que representam, ora fora do paço municipal. Em entrevista, já que tinha compromissos inadiáveis, o deputado Júlio Delgado (PSB) fez o mesmo discurso, embora destacasse que a iniciativa estava com o chefe do Executivo. Bruno, de fato, tenta fazer o dever de casa. Tanto assim que amanheceu ontem em Brasília para mais um périplo pelos gabinetes da burocracia oficial em busca de investimentos.
Conhecedor dos meandros do Legislativo, já que foi vereador por dois mandatos e deputado em uma gestão, Bruno conhece as limitações dos parlamentares, como foi possível atestar no próprio desempenho dos políticos na liberação de emendas orçamentárias. Sendo ou não da base, vivem o mesmo dilema de verem suas propostas aprovadas, mas sem a liberação dos recursos, retidos pelos contingenciamentos determinados pela área econômica. Delgado, da base do Governo federal, como a Tribuna mostrou ontem, conseguiu executar apenas uma emenda de R$ 149.694 para o Hospital Geral do Exército em Juiz de Fora.
Como Margarida só vai participar das discussões do orçamento de 2014; Pestana, por ser da oposição, e Júlio, certamente, na trincheira do candidato Eduardo Campos, do seu partido, à Presidência da República, o prefeito terá que, como já está em curso, fazer o percurso praticamente sozinho, indo de gabinete em gabinete buscando recursos para obras que já deveriam ter saído do papel há pelo menos quatro anos, embora sejam prioritárias pela importância da mobilidade urbana.
A ação dos três deputados é nobre, mas a mobilização tem que ser mais ampla, envolvendo outras lideranças da região, pois só assim será possível chamar a atenção da burocracia. A Zona da Mata ainda é um território de ações estanques, algo perverso quando se trata de política, pois não lhe garante voz nas instâncias de poder.
