Ícone do site Tribuna de Minas

REGRAS DO JOGO

PUBLICIDADE

Quando entrou no páreo para ser sede da Copa do Mundo, o Governo brasileiro assinou uma série de pré-acordos com a FIFA, uma entidade particular que controla o futebol mundial. Conhecia, pois, as regras do jogo. Daí, não haver sentido no bate-boca que se estabeleceu entre um dirigente da entidade e o ministro do Esporte, que já avisou que não vai recebê-lo na próxima visita ao país. O assessor especial da presidência, Marco Aurélio Garcia, chamou o secretário-geral da Federação Internacional de Futebol Associado, Jérome Valcke, de vagabundo, enfatizando que ele não arrumou problema para o Governo, e sim para sua própria entidade. De fato, ao dizer que o Brasil precisa de um pontapé no traseiro para acelerar as obras, ele foi além da conta, mas daí a um rompimento a distância é abissal.

Valcke falou demais, mas não falou mentira. Embora Marco Aurélio tenha reclamado que ele pede um ritmo de obras germânico, quando o país tem um ritmo próprio, de fato, são preocupantes as notícias sobre o andamento das obras, que não ficam apenas na construção de estádios. Estes, sim, são a face mais exposta do problema, mas o Governo ainda não sinalizou com ações profundas em outras instâncias, como a infraestrutura. Os prazos para recuperação dos aeroportos não garantem que estarão funcionando direito em 2014 e, muito menos, que os demais meios de transportes serão adequados. Há um passivo de décadas que dificilmente será resolvido em período tão curto.

PUBLICIDADE

O que é preciso fazer, agora, é dar fim à discussão e colocar mãos à obra, pois briga pela imprensa não leva a lugar algum, a não ser ao natural desgaste dos litigantes. Em vez de falar, Jérome Valcke deveria cobrar, dentro das instâncias normais, a tomada de providências. Em vez de trocar de mal e não recebê-lo, o ministro Aldo Rebelo melhor faria se insistisse nos prazos com as construtoras. Em alguns estados, as obras andam a passos de cágado, os aeroportos não atendem à demanda e o transporte terrestre é um fracasso.

Sair da versão mobile