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TUDO EM FAMÍLIA

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O mais recente episódio nas entranhas do Governo envolve não só o líder no Senado, mas também o seu irmão. Oscar Jucá Neto é irmão do senador Romero Jucá e, até bem pouco tempo, ocupava uma diretoria na Conab, órgão ligado ao ministério da Agricultura. Demitido ao ser flagrado num desvio de recursos, saiu atirando, criticando não só o ministro, mas os demais membros da pasta: só tem bandido na Conab, teria dito em matéria produzida ontem pelo matutino O Globo. Ele, no entanto, não é neófito em escândalos. Na gestão passada, foi demitido de uma das diretorias da Infraero por razões semelhantes. No escândalo da vez, seu próprio irmão pediu desculpas à presidente Dilma Rousseff.

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Mas o que seria um gesto nobre é apenas a constatação dos acordos familiares que ainda marcam as estruturas de poder. Embora não tivesse capacitação técnica para nenhuma das duas funções, o irmão do senador ocupava postos importantes. Não é o único e nem o último. A despeito de o presidente do Senado, José Sarney, ter achado um absurdo o preenchimento de cargos por parentes, o comentário soou estranho, pois é notório que ele também é chegado a essa prática.

A melhor sugestão partiu do ex-ministro José Dirceu ao propor a redução dos cargos comissionados do Governo. E tem razão, pois seria uma saída para impedir a pressão dos partidos que fazem parte da base. Para ficar na mesma trincheira do Governo, cobram uma conta que vai além dos limites, sobretudo na ocupação de cargos, sem sequer levar em conta a competência. Esse mesmo jogo se observa em instâncias estaduais e municipais, que acabam sendo clones de Brasília.

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Nesse cenário em que o viés ideológico pouco pesa – na gestão tucana, o parentesco também funcionou -, criar instrumentos para a formação de quadros técnicos, e até mesmo políticos com capacidade, tornou-se um desafio. Caso contrário, qualquer governante estará refém dessas perversas circunstâncias.

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