Embora tenham um viés de passionalidade, no qual, muitas vezes, o bom-senso fica em segundo plano, os pleitos municipais, nos quais são eleitos prefeitos e vereadores, deixaram, já há algum tempo, a lista de prioridade das legendas de alcance nacional. Nos pequenos feudos, ainda é possível ver o enfrentamento de grupos, fruto do maniqueísmo interiorano que ainda se mantém. Nestes, não há meio-termo. Nas capitais e cidades do porte de Juiz de Fora, o cenário vem mudando com o decorrer dos anos, mais ainda após a volta da eleição direta para presidente da República. Os governos de coalizão têm induzido os governantes a acordos – alguns não tão éticos – e a formulação de entendimentos com prazos bem amplos.
Em vez das prefeituras e câmaras, o que está em jogo é a eleição nacional. Acontecimentos recentes em Recife, onde PT e PSB romperam relações antes das convenções; em São Paulo, com o ex-presidente Lula pactuando com o inimigo Maluf, e em Belo Horizonte, com o fim da relação de anos de PT e PSB, no limite da consolidação das chapas, apontam para uma disputa que já está em curso, a dois anos da eleição presidencial. A sucessão nos municípios é apenas uma preliminar do jogo principal, para o qual os atores começam a despontar. Dilma Rousseff, Lula, Aécio Neves, José Serra e Eduardo Campos são protagonistas de uma luta que já saiu dos bastidores e chegou aos palanques.
Os dois primeiros, além de lutarem pela hegemonia petista, ainda não definiram quem vai para a disputa em 2014, se haverá reeleição ou se voltará ao começo. Entre os tucanos, apesar de ir para a disputa municipal em São Paulo, José Serra não desistiu da corrida presidencial e fará de tudo para barrar a ascensão do mineiro Aécio Neves, mas a preferência é do senador, que já cedeu a vez em 2010. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, acende velas para todos os santos, mas não tem pressa. Conta com a idade a favor e com o timing da política. Seu rompimento por etapas com o PT é melhor explicitado pelo deputado Júlio Delgado: é a carta de alforria dos socialistas, que poderão até antecipar seus planos nacionais para 2014.
