Não é de hoje que o Fórum Benjamin Colucci tornou-se um problema. Seu processo de sucateamento vem de anos, fruto do não acompanhamento das novas demandas da sociedade. O município cresceu, e o acesso à Justiça se acentuou, mas o espaço físico continuou o mesmo. Hoje, várias instâncias funcionam em outros espaços por conta do engarrafamento no prédio principal do Parque Halfeld. As várias tentativas de se construir uma nova unidade esbarraram ora em interesses políticos, ora em problemas de local. O atual projeto, por exemplo, quase foi para a Zona Sul da cidade, numa peleja que só não se consolidou por intervenção da Prefeitura, que cedeu parte do Terreirão do Samba. Mesmo assim, há problemas no processo, pois parte da área pertence à Universidade Federal de Juiz de Fora. A permuta sugerida pela municipalidade está embargada por uma ação judicial e só deve ser resolvida quando for proposto um novo terreno. Quando será encontrado, ninguém sabe.
Enquanto isso, toca-se a vida com uma série de problemas, como foi demonstrado pela Tribuna na edição de ontem. Processos arquivados em locais impróprios e uma eterna expectativa para a nova sede. Nesse cenário, ficam insatisfeitos os operadores do direito e serventuários, que ainda se queixam de outras dificuldades de trabalho. Estão em greve. O Tribunal de Justiça tem o projeto, mas o recurso, que estaria definido, não aparece no orçamento deste ano, o que implica, de pronto, novo adiamento.
Com cerca de 550 mil habitantes, Juiz de Fora foi ficando para trás nas prioridades do Tribunal. Cidades do mesmo porte, como Uberlândia, já estão com seu fórum em construção. Aqui, a situação é outra, a despeito das necessidades. É preciso envolvimento coletivo além das instâncias da Justiça para cobrar pressa no projeto, uma vez que, na atual situação, todos perdem, reforçando ainda mais a percepção das ruas de uma justiça lenta quando, na verdade, parte dessa lentidão é fruto da falta de condição de trabalho.
