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AÇÃO E REAÇÃO

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Com a chegada da lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal, o que o Governo temia começa a ganhar forma. A devolução da medida provisória do Governo que anula os efeitos das desonerações nas folhas de pagamentos das empresas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, não pode ser vista apenas como ato de retaliação do senador por ter seu nome envolvido na lista dos políticos que os procuradores da operação “Lava jato” pretendem investigar.

Na verdade, expõe uma ferida aberta na relação entre o Planalto e a base aliada, já revelada por demonstrações de insatisfação do PMDB, desde que a presidente Dilma assumiu o segundo mandato. Recentemente, a sigla do vice-presidente Michel Temer foi à TV mostrar a cara descolada do Governo.

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Forçada a reapresentar o ajuste fiscal sob forma de projeto de lei, a presidente Dilma sofreu uma derrota inédita em seu Governo. A última vez que uma MP foi rejeitada pelo Congresso foi em 2008, no Governo Lula. A MP que revisa regras de desoneração das folhas de pagamento entraria em vigor 90 dias após ser publicada, enquanto agora, sob a forma de projeto de lei, só passa a valer 90 dias após aprovação nas duas casas do Legislativo.

A julgar pelos ânimos do PMDB, o trâmite, mesmo em regime de urgência, pode atrasar e comprometer o ritmo do ajuste fiscal do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Ainda não se sabe como será a reação na Câmara dos Deputados, considerando que o presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha, também com o nome vinculado à lista de Janot, tem demonstrado energia para enfrentar o Planalto. Mais grave ainda é o próprio partido da presidente ter parlamentares declaradamente contrários ao arrocho fiscal.

O Governo precisa avaliar com cuidado a crise com a base e agir com a cautela que a situação exige. Renan já é tratado como herói pela mesma oposição que queria derrubá-lo. É um jogo de interesses. A chance de novas derrotas pode engrossar o caldo.

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