A decisão da presidente Dilma Rousseff de acolher o pedido de demissão da engenheira Graça Foster, presidente da Petrobras, e o consequente pedido de demissão anunciado ontem eram os atos que se esperava do Governo num momento em que sua presença, apesar de sua competência e honestidade, estava se transformando num problema. Basta ver a reação do mercado, tão logo essa possibilidade surgiu: as ações da companhia subiram cerca de 15%, a despeito do rebaixamento de seus papéis por uma das empresas que monitoram o mercado. Em princípio, um paradoxo, porque ante uma notícia tão grave, vinda de agências de risco, a lógica seria uma nova queda da cotação. A subida apontou que o “efeito Graça” foi mais importante. Com ela, a partir de março, também devem sair os demais diretores.
A mudança, porém, só surtirá efeito se houver o entendimento de que uma empresa de tamanho porte não pode ficar à mercê dos interesses políticos. O uso por partidos da maior estatal se mostrou danoso, sobretudo quando seus cargos e recursos foram drenados para legendas em função de campanhas eleitorais. A profissionalização, ora procurada pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy, deve se dar em toda a sua extensão, a fim de recuperar os desgastes dos últimos anos. Levará anos para retomada do espaço perdido no cenário interno e internacional. A expectativa é de que os novos dirigentes sejam conhecidos amanhã.
Os próximos passos não se esgotam na Petrobras. É fundamental ampliar a discussão sobre o uso político também em outras instâncias do Estado. O patrimonialismo, no qual se confunde o público com o privado, tem sido danoso para o próprio país. O discurso de o dinheiro público não ter dono é uma falácia, já que há sempre alguém que paga a conta. No atual cenário, a responsabilidade está caindo, de novo, sobre o contribuinte, às vésperas do aumento de uma série de tarifas, a começar pelos combustíveis e pela energia elétrica.
