Ao afirmar que a corrupção é geral – durante acareação na CPMI do Congresso que averigua uso irregular do dinheiro público -, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, o principal delator do escândalo na estatal, não disse nenhuma novidade. Sua afirmação pode ser vista como uma tentativa de jogar mais farinha no ventilador ou uma forma de tirar o foco da empresa petrolífera, da qual foi um dos mais graduados executivos. Acrescentou, sem citar nomes, que 35 políticos estão envolvidos no caso. Até aí, também, não há novidades, salvo se dissesse os nomes, mas em tal circunstância seria demais. Dar o nome dos políticos em plenário seria o mesmo que falar em corda na casa de enforcado. Ademais, seria ingênuo considerar que, num escândalo envolvendo tantos milhões (já se fala na casa do bilhão), não houvesse nenhum parlamentar envolvido.
A questão central é saber a extensão do dano ao erário, mas sem perder a perspectiva. Cabe prioritariamente à Polícia Federal ampliar suas conversas com Paulo Roberto e buscar mais informações, sobretudo ante espanto coletivo pelo silêncio do outro acareado. Nestor Cerveró, mesmo diante de fortes evidências, garantiu não ter recebido um só tostão nesse rico balcão de negociatas.
A atual CPMI, porém, é mais um jogo de arquibancada do que uma tentativa real de apuração, já que parte de seus membros foi mandada para casa nas últimas eleições. Foi dada a garantia de que outra será instalada, a partir do ano que vem, já na próxima legislatura. É um dado a conferir, uma vez que, diante das afirmações do diretor, apontando tantos políticos envolvidos, muita gente, em vez de ir fundo nas investigações, vai colocar as barbas de molho.
