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POLÍTICAS PÚBLICAS

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A série “Vidas roubadas”, que a Tribuna começou a publicar no domingo, tratando da desinstitucionalização de pacientes com problemas mentais, agora abrigados em residências terapêuticas – serão instaladas dez em Juiz de Fora -, lança um novo olhar sobre esses personagens, esquecidos, sem identidade e que agora ganham uma nova chance de cidadania. Muitos, como relata a repórter Daniela Arbex, ganham a perspectiva de retomada do cotidiano que se perdeu. O novo modelo não tem o formato dos hospitais convencionais e, muito menos, dos velhos manicômios, verdadeiras masmorras, o que a repórter contou em “Holocausto brasileiro”, a série que se tornou um livro premiado.

O tratamento de pacientes com deficiência mental é um desafio permanente para o Estado, pois há dificuldades, sobretudo nas famílias mais carentes, que preferem o internamento, ora para livrar-se de um “estorvo”, ora para facilitar a medicação. Um deficiente que toma seus remédios no tempo certo tem todas as condições de vida social. O problema é cumprir essa rotina, sendo mais fácil fazê-lo no hospital. Mas há ônus para isso, penalizando os reais casos em que a internação é fundamental. O outro lado também se faz presente. Se acolhidos em ambientes mais humanizados, muitos desses personagens podem ser reinseridos na sociedade. É esse o sentido das residências.

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Quando deputado, o sociólogo Paulo Delgado levou exatos dez anos para aprovar no Congresso projeto tratando da desospitalização. A proposta encontrou sérias resistências, só tornando-se lei uma década após a sua apresentação. De novo, há resistência ao desafio que hoje está sendo enfrentado nas residências terapêuticas. Como a série revela, a recuperação da cidadania é um direito capitulado na Constituição, e não há favor em concedê-lo. Trata-se de uma prerrogativa que muitos não conseguiram por força das circunstâncias transformada em um problema permanente.

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