A ocupação irregular das margens do Rio Paraibuna, como mostra a Tribuna na edição de hoje, não é apenas um problema habitacional da cidade, mas um risco permanente que se acentua nos tempos das chuvas, como agora, quando as previsões são de fortes temporais até os primeiros três meses do ano. Os moradores, vítimas do infortúnio, precisam ser resgatados e alocados em áreas seguras, nas quais não tenham os problemas das enchentes e nem contribuam para o comprometimento ambiental. A despeito das ações que ora estão em curso, tanto na instância federal quanto na municipal, é sempre necessário observar os pontos mais críticos.
O Brasil, mesmo com os investimentos, ainda tem um acentuado déficit habitacional. Projetos como Minha Casa, Minha Vida são importantes e devem ser incrementados, pois as metrópoles registram ocupações sistemáticas da noite para o dia. De acordo com o Plano Municipal de Habitação, Juiz de Fora apresenta um déficit de 14 mil moradias, números expressivos, mesmo diante de outras estatísticas mais perversas que indicam que cerca de 20 mil famílias estão sem casa ou vivem em condições precárias.
O que hoje ocorre na cidade é repetição dos grandes e médios centros, resultado da mobilidade interna de pessoas que buscam oportunidades. Sem sucesso, são deslocadas para a periferia e se submetem a qualquer tipo de ocupação, mesmo sabendo dos problemas que têm pela frente. O Paraibuna, como os rios de seu porte, é um risco permanente, ainda mais na Zona Norte, onde sua calha não é tão larga quanto na área central da cidade, tornando-se uma armadilha. O mínimo que se espera, pois, são programas de remoção imediata, uma vez que não dá para transigir com as enchentes, cada vez mais intensas na região Sudeste.
