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GRANDE IRMÃO

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Nas estratégias de governo, saber o que os outros estão fazendo tornou-se regra no cenário internacional. Desta forma, não há surpresa quando os relatórios do ex-espião da NSA (sigla em inglês da Agência Nacional de Segurança) Edward Snowden indicam que até a presidente brasileira, Dilma Rousseff, e o do México, Enrique Peña Nieto, andaram sob a vigília do big brother americano. Os dados revelados pelo Fantástico no último domingo ultrapassam a linha da soberania, um bem inalienável dos estados nacionais. Bisbilhotar as ações de uma chefe de Estado de um país parceiro foi além de todos os limites, e o Governo tem todo o direito de cobrar explicações ao presidente Barack Obama por essa invasão de privacidade.

A Agência Nacional de Segurança, que nos EUA atua sob uma legislação especial, a qual lhe permite olhar tudo e todos, ao verificar a correspondência da presidente brasileira, indicou que desconhece limites. E é aí que está o problema. Há princípios da soberania que não podem entrar no balcão das concessões. Quando a correspondência de uma chefe de Estado soberano e democrático é violada por outro país, e que não divide os dados, é de se indagar que parceria é essa. E o que diriam os americanos se o contrário fosse verdadeiro? Certamente chamariam os marines.

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Embora haja sempre espaço para politização do fato, como vitimizar a presidente, o Governo brasileiro age corretamente ao cobrar explicações formais dos EUA, ainda mais às vésperas de uma visita da presidente, programada para meados do mês que vem, a Washington. Como se encontrar com um anfitrião que bisbilhota a sua rotina sem qualquer tipo de autorização? Haveria, no mínimo, um constrangimento formal que só se resolverá com explicações oficiais ou até mesmo um pedido de desculpa.

A união de governistas e da oposição condenando os atos da NSA aponta que valores acima do viés partidário foram feridos. E o Brasil não deve abrir mão deles.

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