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FUTURO DA CORTE

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O ministro Marco Aurélio Mello, um dos mais antigos do Supremo Tribunal Federal (STF) – só fica atrás de Celso Melo, o decano -, se disse estupefato com seu colega Joaquim Barbosa, em virtude dos termos utilizados para questionar o colega Ricardo Lewandowski, no primeiro dia de julgamento do mensalão. Na ocasião, ante um pedido de desmembramento do processo, Barbosa classificou o colega de desleal, por defender uma tese já vencida na Corte em outras ocasiões. Para Marco Aurélio, os adjetivos foram contra a própria instituição, e se disse preocupado com o fato de o seu colega de língua solta ser o próximo presidente do STF.

Sem precisar entrar no mérito das discussões, o discurso do ministro reverbera a posição de outros, mas não significa que a gestão de Joaquim Barbosa será problemática. Com temperamento forte, de fato, ele passa a impressão de um período de tensões, mas são meras especulações. A história tem dado exemplos de personagens de fino trato que agiram ditatorialmente, e outros de temperamento forte que se ativeram aos limites de suas prerrogativas. A presidente Dilma é um claro exemplo: assusta ministros e assessores, joga duro em negociações, mas não deu um passo fora da ação institucional. Ao contrário, o prestígio obtido nas ruas é fruto da firmeza e clareza em suas posições.

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Não é de hoje que o Supremo mudou sua postura. Houve um tempo em que a toga era exercida por catedráticos e o nome valia mais do que o trabalho. Mesmo assim, sempre foi um tribunal político, em virtude de seu preenchimento passar pela indicação do Executivo. Nada indica, porem, que houve mau uso da prerrogativa. Discussão entre os magistrados sempre ocorreu, a diferença está na repercussão dos fatos. Hoje, além de uma imprensa mais presente, há a propagação pelas redes sociais, que trata as questões em tempo real, antes mesmo de os envolvidos se darem conta de que, em vez do plenário, estão falando para o mundo.

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