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FALTA DE SENSO

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O presidente da Câmara Federal, deputado Henrique Eduardo Alves, utilizou um avião da FAB para ir ao Rio de Janeiro, com outros sete acompanhantes, assistir ao jogo do Brasil contra a Espanha, decidindo a Copa das Confederações. Viajou na noite de sexta-feira e retornou ao Rio Grande do Norte, seu estado, na noite de domingo. O custo ficou por conta do erário, ou seja, do cidadão que paga seus impostos regularmente. Pego no flagrante, disse que vai reembolsar o Governo, o que deve ocorrer após calcular os valores envolvendo tantos passageiros. O parlamentar usou a prerrogativa de presidente de uma das casas do Congresso, mas foi além da conta, pois não cumpria, a despeito de dizer que tinha agenda com o prefeito Eduardo Paes, qualquer compromisso oficial que justificasse o traslado.

Sua atitude não é inédita e nem surpreende, pois o bem público, há anos e vários mandatos, vem sendo utilizado de forma abusiva por autoridades ou pessoas a elas próximas, num típico quadro de patrimonialismo. Só que os tempos mudaram. Num momento em que o povo está nas ruas protestando contra abusos e promessas não cumpridas, o mínimo que ele deveria ter feito é utilizado um avião de carreira, pagando com os seus próprios recursos.

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Gestos como o do deputado explicitam, ainda, a falta de senso de oportunidade, como ocorre também nas instâncias locais. Em Juiz de Fora, num momento em que a população cobra mudança de tarifas e exige transparência nos atos públicos, foi apresentado requerimento de isenção de pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) pelos funcionários públicos municipais, prática já rejeitada pela mesma Câmara em legislaturas passadas. O autor, vereador Luiz Otávio (Pardal), diz que foi apenas um pedido, e não um projeto.

Lideranças públicas devem ter atenção redobrada em suas ações, pois não falam por si só, sobretudo quando têm o papel da representação, como é o caso de quem foi eleito. Tratar de interesses particulares é uma perigosa rotina, que se faz presente sobretudo em Brasília, onde as bancadas são resultado de lobbies que financiaram suas campanhas para defender causas de grupos, sejam eles políticos, empresariais ou religiosos.

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