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EMPADA DOS OUTROS

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Há um ditado que reflete com sabedoria o modus operandi da instância política. Trata-se do colocar azeitona na empada dos outros. É uma alusão a ações ou reações de alguém que nem sempre são corroboradas por terceiros, ora como forma de protesto, ora como manifestação de não haver interesse em comungar iniciativas. No abraço ao Aeroporto Itamar Franco, na última quinta-feira, a impressão que ficou foi exatamente essa. Nenhum deputado estadual ou federal – salvo Margarida Salomão – se fez presente. O mais razoável seria apontar a falta de agenda, mas a leitura das ruas é a da empada. Como a parlamentar petista teve a iniciativa, os demais não queriam colocar a azeitona, ainda mais num ano que se faz véspera de um pleito nacional.

Este, no entanto, não foi um caso isolado. Há dois anos, quando o deputado tucano Marcus Pestana encabeçou um movimento pelo desenvolvimento regional, com fóruns em várias cidades a partir de Juiz de Fora, o primeiro evento foi suprapartidário, com a participação de parlamentares e prefeitos da Zona da Mata. Os eventos seguintes, a despeito da necessidade e de sua importância, foram se desidratando, com baixa presença de políticos com mandato. Também não quiseram colocar a azeitona na empada de Pestana.

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Por ações e omissões deste porte, a região continua sendo colocada em segundo plano em diversas decisões oficiais, embora reconheça-se o papel do governador Antonio Anastasia, que não tem medido esforços pelo seu desenvolvimento. Os políticos, especialmente os deputados, no entanto, continuam com a visão paroquial de só cuidar de seus redutos, colocando os municípios em compartimentos estanques, forjando uma política que nasce enfraquecida por sua divisão.

Como no ano que vem haverá eleição, a montagem de redutos se acentua, mas aí caberá ao eleitor indagar as razões de medidas isoladas, que não ajudam em nada a esperada recuperação regional. Uma das boas motivações dos pleitos é a possibilidade de se cobrar dos candidatos. É para isso que vale o voto.

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