Numa semana ainda marcada pela ressaca de carnaval, alguns eventos serviram para antecipar o tom do processo político e o modo como os partidos operam para chegar aos seus objetivos, na maioria das vezes, sob uma lógica própria, incapaz de ser acompanhada pelo raciocínio puro das ruas. No início da semana, depois de dizer que não aceitaria participar diretamente do processo sucessório, o ex-governador José Serra anunciou, via Twitter, que vai se submeter à prévia do PSDB para indicar o candidato tucano à disputa municipal deste ano em São Paulo. Até então, quatro nomes estavam no páreo e iriam definir o escolhido por uma disputa entre eles. Serra virou pule de dez e, se houver votação, será apenas para inglês ver, já que ninguém terá meios de vencê-lo no confronto interno, se houver.
Dessa mudança de rumos, pode-se tirar impressões. Uma delas é a falta de novas lideranças, no ninho tucano, capazes de chamar a atenção do eleitor. O partido forçou a definição de Serra por saber, antecipadamente, que, com qualquer um dos quatro pré-candidatos, iria ser derrotado, mesmo sendo adversário o ex-ministro da Educação Fernando Haddad, um aluno de primeiro ano em disputa. Em São Paulo, berço do tucanato, as opções têm girado em torno de José Serra e Geraldo Alckmin, sob o patrocínio do ex-presidente Fernando Henrique. E mais ninguém. Os demais são coadjuvantes.
Na outra ponta da mesa, a presidente Dilma Rousseff deu posse, sexta-feira, ao novo ministro da Pesca, o senador Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal. De uma franqueza cortante, ele admitiu que não sabe, sequer, colocar uma isca no anzol, embora essa não seja uma condição para ocupar o cargo. O problema é que ele não entende nem de isca nem de pesca de um modo geral, dando provas de que sua indicação é fruto de um arranjo político também de olho nas eleições municipais paulistanas.
Tanto o PT quanto o PSDB, protagonistas de disputa, sabem que a sucessão de Gilberto Kassab não é uma simples troca de guarda, mas uma prévia do que pode ocorrer em 2014, quando a Presidência da República estará em jogo. A opção por Serra ou a escolha de Crivella são ações pontuais para o principal colégio eleitoral do país, dando mostras de que, de novo, a principal cidade do país continua puxando o carro da sucessão.
