A temporada de chuvas mal começou e os estados já contabilizam prejuízos incomensuráveis, como são os casos de Minas Gerais e Rio de Janeiro, por enquanto os mais afetados pelas águas de verão. Contando dezembro, quatro pessoas morreram no estado, dando margem para discussão sobre as medidas preventivas que devem e outras que deveriam ter sido tomadas. Em Belo Horizonte, um prédio desabou, mas ele já estava condenado pelas autoridades há algum tempo, e um homem morreu soterrado. Na Região Serrana do Rio de Janeiro, as enchentes voltam a assustar a população, mas o que impressiona é o cenário das cidades afetadas pela tragédia de 2011, quando cerca de 900 pessoas morreram. Em muitos municípios, quase nada mudou, e o dinheiro ainda acabou sendo desviado para fins políticos, levando até mesmo à cassação de um dos prefeitos.
A politização do repasse dos recursos públicos, sobretudo para ações preventivas contra as chuvas, é uma questão que carece de uma discussão mais aguda. A população paga um preço muito alto em função do jogo que se faz, ora privilegiando algumas regiões, ora sendo o dinheiro desviado para outros fins. Na edição de ontem, o jornal O Estado de São Paulo denunciou que o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, destinou 90% da verba antienchente para Pernambuco, seu estado natal. Cotado para disputar a prefeitura de Recife, ele ainda é ligado ao governador Eduardo Campos. Nesta época do ano, porém, é o Sudeste, e não o Nordeste, o mais afetado pelas tempestades.
O ministro, no entanto, não inaugurou esse estilo. Seu antecessor, Geddel Vieira Lima, da Bahia, quando ocupava a pasta fez o mesmo, dando prioridade ao seu estado em detrimento de outras regiões. O ministério nega essa preferência, mas os dados podem ser encontrados em uma visita ao site da ONG Contas Abertas, responsável pela apuração de tais repasses. A transferência, porém, não é o único problema. A falta de medidas preventivas também é resultado da incompetência de dirigentes que passam o ano reclamando da falta de dinheiro, mas não fazem projeto algum para se capacitar aos recursos. Essa deliberada inação é revelada sempre no início do ano, quando a chuva – como acontece todos os anos e no mesmo período – volta a surpreender, causando danos e mortes pelo país afora.
