A situação de jovens mães apartadas dos filhos por conta do próprio vício, o que faz delas tecnicamente incapazes para gerir um lar, é algo deveras preocupante não apenas pelo número de casos mas também pela metodologia adotada em determinadas circunstâncias. Em defesa da criança, a separação tem sido a solução adotada pelos Conselhos Tutelares, mas é preciso insistir em medidas de recuperação dessas próprias jovens, que também são vítimas. Sem isso, outras mães viverão a mesma situação numa roda-viva contínua, que manterá ativo um cenário de órfãos de mães vivas.
Na edição de domingo, a Tribuna apontou situações distintas: mães que reconheceram a própria incapacidade de cuidar dos filhos e de mães que mantêm a chama de ligação, mesmo reconhecendo sua própria realidade. O caso emblemático foi de uma jovem que se afastou das drogas para cumprir a maternidade, assegurando que o filho, a despeito de seu vício, é a prioridade. Ajudada por familiares, vive a angústia de cada dia, mas está vencendo a batalha. Haverá outras?
A maternidade é uma situação especial – incompreendida pelos demais – em função do sentimento de ligação com o filho, forte o suficiente para mudar comportamentos, como é o caso da jovem. Se houver incentivos e acolhimento, sobretudo da família, outras tantas poderiam reagir.
A família é a gênese de ações positivas e negativas. Desestruturada, torna-se caldo de cultura para o vício e ingresso no submundo do crime. Bem articulada, recupera, salva e dá perspectivas para seus membros. Os governos, em todas as suas instâncias e demais entidades, devem, pois, investir nessas “commodities”, que podem ser o primeiro passo para grandes mudanças.
