Ainda é prematuro dizer que as candidatas Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) já estão no segundo turno, mas a performance de ambas no debate promovido pelo SBT/Folha de S. Paulo/UOL e Jovem Pan, na última segunda-feira, deu mostras de que ambas estão convencidas de que seu confronto vai se prolongar até o fim de outubro, quando apenas dois nomes estarão diante dos eleitores. Dilma tentou desconstruir a adversária, apontando a utopia de seu discurso. Marina criticou a atual presidente por não admitir erros e, por isso, continuar errando, sobretudo na economia. Os demais candidatos, inclusive o tucano Aécio Neves, ficaram em segundo plano. Até meados deste mês, será possível definir o quadro, pois há, ainda, a expectativa de que Marina pare de crescer à medida que seus adversários passem a apontar seus pontos fracos.
Os debates não são a melhor forma de convencer o eleitor, pois nem todos têm acesso a esse tipo de programa, sobretudo pelo horário em que são realizados. Quando não são tarde, como ocorreu na TV Bandeirantes, são demasiadamente cedo, como na segunda-feira. O trabalhador ou está dormindo, por conta da jornada que começa cedo, ou ainda está retido no trânsito na penosa e diária volta para casa. Fica, então, a repercussão como forma mais adequada para propagação dos eventos. Só que, nesta etapa, há a natural contaminação das fontes, inclusive da mídia, que deixou de ser neutra nessa fase de campanha.
Haverá outros debates, e o programa eleitoral está em pleno curso, o que dá chances ao eleitor para se definir. De acordo com as pesquisas, o número de indefinidos já não é tão expressivo, além disso, os eleitores que ainda admitem mudar o voto é cada vez menor. Mas é bom seguir um velho conselho mineiro em que este aponta que, em eleição e mineração, só depois da apuração. Hoje, com o avanço tecnológico, nem tanto, mas é preciso dar mais um tempo para ver aonde vai parar esse enfrentamento que agora ganha corpo.
