Movimentos reivindicatórios são próprios dos sistemas democráticos, que os acolhem como parte das relações entre os que menos podem e o andar de cima. Sem pressões, as instâncias de poder não acolhem, necessariamente, os pleitos das ruas. Mesmo assim, dependendo da extensão do protesto, fazem ouvidos moucos, como se não houvesse legitimidade dos pedidos.
Os protestos de 2013, com pequenos ensaios no ano passado, chamaram a atenção da opinião pública e por ela foram acolhidos. Quando os questionamentos enveredaram-se para o caminho da violência, o que era uma demanda legítima perdeu força, porque os demais segmentos, embora concordassem com os pedidos – e ainda não atendidos -, não pactuaram com o rompimento da linha da racionalidade.
Os protestos de Ewbank da Câmara, que provocaram um engarrafamento de quase dez quilômetros e mudou os planos de muitos viajantes, faziam sentido, pois tratava-se de um pedido coletivo de uma comunidade que se vê no meio do caminho, entre Santos Dumont e Juiz de Fora, ficando prejudicada na sua locomoção. Mas queimar dois ônibus foi além do necessário, pois dá ao outro lado, com justificada razão, o direito, também, de clamar pelos seus prejuízos.
Situações como essa não ocorrem aleatoriamente, tendo um viés mimético de atos semelhantes em outras regiões. Há ainda o fator dos que, antes de qualquer negociação, partem já para atos radicais. É fundamental, agora, que todos sentem-se à mesa de negociações e encontrem uma saída. É o que faltou até agora.
