As imagens de adolescentes consumindo drogas em pleno Centro da cidade chocam, mas não surpreendem, pois são raros os locais onde não há essa prática nos tempos de hoje. A Tribuna percorreu diversos pontos da cidade, e a conclusão foi recorrente: o tráfico amplia suas ações e está cooptando os mais jovens não só para o uso, mas também para se tornarem agentes de distribuição. Na falta de recursos, boa parte se submete às regras do crime atuando como mula em troca de algumas porções.
O que se viu nos locais visitados é um perverso retrato dos tempos de hoje, que exige ações imediatas do Estado por meio de aparelho repressor e também de órgãos sociais, a fim de dobrar a vigilância nas diversas pontas do problema. A família tem papel relevante nesse enredo, pois, além de ser a base moral, é também a referência que os jovens levam pelo resto de suas vidas. Ontem, diversos especialistas ouvidos pelo jornal lembraram que a falta de um norte torna-se um problema.
A droga ilícita não é o único componente nesse quadro de preocupações. O consumo de bebida alcoólica – embora lícito para maiores de 18 anos – também se tornou uma demanda a ser discutida, pois os menores têm fácil acesso ao produto. E uma coisa leva à outra. Juiz de Fora tem leis tratando da questão, mas sua execução é precária. Os donos de bares se isentam de responsabilidade, pois alegam que, na maioria das vezes, é alguém de maioridade quem faz a compra, mas deveriam zelar pelo seu entorno, a fim de coibir os abusos.
O combate às drogas e ao alcoolismo não se esgota nos usuários e familiares. Trata-se de uma ação coletiva, na qual outros segmentos devem ser envolvidos. Só dessa forma será possível fazer frente a esse quadro que tanto incomoda.
