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O SUS NO SUS

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O problema de determinadas pesquisas está na metodologia empregada, pois, dependendo de sua aplicação, os resultados são distorcidos ou geram uma imagem irreal do que está sendo analisado. Por isso, é necessário, ao se divulgar resultados, apresentar também a forma e o conteúdo dos questionários. Mas, independentemente do modo como foram aplicados os dados, nada impede que se façam análises profundas sobre o IDSUS, que avaliou a performance do Sistema Único de Saúde nas cidades brasileiras. Os dados são pedagógicos, pois levarão a uma reavaliação do sistema, servindo também para desmistificar o discurso de ser o SUS o melhor do mundo. Para isso, há um longo caminho pela frente.

Num primeiro olhar, Juiz de Fora ficou mal na fita, pois situou-se em 22º lugar entre as 29 cidades do Grupo 1, com o pior desempenho numa lista encabeçada pelo Rio de Janeiro, mas ficando em melhor situação do que Uberlândia, município sistematicamente usado em várias instâncias para efeito de comparações. Esse grupo é formado por municípios que apresentam melhor infraestrutura e condições de atendimento à população. Por isso, é temerário jogar pedras sem uma avaliação profunda, porque não dá para cair no discurso raso de dizer que regiões de menor condição econômica estão em melhor situação. A divisão por grupos serve para evitar tais comparações, como lembrou o próprio coordenador Paulo de Tarso. São realidades diferentes.

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O lado positivo é o viés didático do trabalho. Não dá para dizer que a saúde no Brasil é algo de primeiro mundo, pois o próprio usuário – aquele que vive o problema – indica que a banda toca diferente. De acordo com a pesquisa, apenas 2% consideram o SUS adequado, numa clara observação de que o SUS também está no SUS. Ouvidos pela Tribuna, os secretários de Saúde do estado, Antônio Jorge Marques, e do município, Maria Helena Leal Castro, chamaram a atenção para a importância dos números, mas pediram cautela. O fundamental, porém, é que a pesquisa, além de uma constatação do olhar das ruas, deve servir de referência para a tomada de providências nos pontos considerados frágeis e, como lembrou o secretário, para estudar estratégias.

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