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MORDE E ASSOPRA

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O discurso do novo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, foi curto, mas recheado de significados. Mordeu quando disse que houve, sim, intervenção do Governo numa eleição interna da Câmara dos Deputados. Assoprou ao avisar que não seria um líder de oposição ao Governo, mas um representante do Parlamento, para ele independente e infenso à ação dos outros poderes. Em recado direto ao Planalto, acentuou a garantia da governabilidade, mas já apresentou duas questões polêmicas: o orçamento impositivo e a reforma política.

O Governo ignorou a máxima de Tancredo Neves, quando este dizia que no voto secreto há sempre um desejo de traição. E foi o que aconteceu. Arlindo Chinaglia, do PT, contava com cerca de 180 votos para ir para o segundo turno, e, a partir daí, capitalizar os votos da oposição. Recebeu apenas 136, bem abaixo do esperado, numa clara ação dos bastidores, nos quais Cunha é craque, e na prova de que o Executivo não controla suas bancadas, mesmo com promessas de cargos que foram feitas ao curso das articulações e de licença de ministros-deputados.

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Governar com um Legislativo hostil não é de todo um problema. Num cenário de “checks and balances” – freios e contrapesos -, os americanos sempre equilibram os poderes. O presidente quase sempre tem uma Câmara distinta. Hoje, o democrata Barack Obama governa com um Congresso de maioria republicana. É do jogo e da democracia, mas sem risco para a governabilidade, desde que os atores, de ambos os lados, entendam o significado de seus propósitos, não vendo no outro um inimigo. Um adversário, talvez.

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